06.20.13 08:07:52

Rui Cruz

A criar uma web melhor desde 2003

Opinião pessoal no jornal O Crime – 29-03-2012

Posted by Rui Cruz On Março 29, 2012 2 COMMENTS

Foi a minha primeira opinião para um jornal. Gostei da experiência, ainda para mais quando tenho ativistas amigos e conhecidos envolvidos.

Acho que o mais importante é que isto não se fica por aqui. Todas as semanas vão poder contar com uma pitada de verdade e outra de sarcasmo (ou talvez não).

É assim que funciono.

Seguem os prints:

Opinião pessoal no jornal O Crime – 29-03-2012

Opinião pessoal no jornal O Crime – 29-03-2012

O jornal tem coisas igualmente interessantes, nomeadamente falar do Processo Casa Pia.

Partilha este post se concordas com o que eu disse. E se quiseres ler o testemunho da pessoa que está na foto, consulta este post no Tugaleaks.

Até breve,
Rui Cruz

Eu, arguido

Posted by Rui Cruz On Março 18, 2012 197 COMMENTS

No passado dia 8 de Março, logo às primeiras horas da manhã, fui acordado por quatro simpáticos e anónimos inspetores da PJ – só um se dignou identificar-se.
No dia Internacional da Mulher, e dado o meu estado de solteiro, teria sido mais simpático enviarem inspetores de sexo feminino mas só veio uma.

Rui Cruz

Enquanto me “arrumavam” a casa – tudo no estilo “Feng-Shui” – fui questionado sem nunca conhecer os motivos que se escondiam por detrás de tão agradável e matutina visita (nota: para a próxima, sff, tragam-me o café e os jornais da manhã, obrigado).

Não fosse o incómodo e a humilhação, a cena até podia ter sido retirada do guião de uma telenovela do Moita Flores. Mas não.Afinal, o meu perfil acho que nem corresponde sequer ao das personagens habitualmente imaginadas pelo ex inspetor da Policia Judiciária: solteiro, ativista sem partido político, sem enredos amorosos, etc.

Ah., é verdade, sou membro do extenso, horrível e causador de tantos destúrbios à vida pacata dos cidadãos e ainda volta e meia extremista clube dos tais 99%. Não sei se isso ajuda a meu favor ou se quem lê isto percebe ironias, mas está dito.

E assim passei quatro horas. Embora em Angola na idade média um arguido fosse “um simples objeto do processo e nada mais, podendo ser alvo de humilhação, coação e da tortura”, aqui em Portugal temos efetivamente um melhor serviço para com a justiça, nem que seja por não estarmos na idade média.
Mas ainda assim não devemos ter direitos suficientes, já que os senhores inspetores nem sequer se deram ao trabalho de se preocupar com os meus.
Durante quatro longas horas, não tive a possibilidade de procurar conselho junto de um advogado (bem que eu queria um do estado, já que sou dos 99%) ou de contactar a família, colegas… ninguém. Ali fiquei, com o auspício da minha consciência, roído pelo stress e com fracos conselhos de e para mim próprio.

Sem entrar em detalhes – o que hoje me é proibido – concluo que tudo o que faz bip, tem botões e luzinhas pode interessar para a Justiça.

Sem nunca abordar os detalhes do caso (facto que sublinho), contactei um amigo a quem perguntei se as minhas atividades na internet tinham algo de ilegal.
O Tomé Mendes sabe que aqui ando desde há muitos anos e acompanha, mais ou menos, aquilo que vou fazendo na Web em alguns projetos:

“Não sei tudo o que fazes na Internet. Mas em todos os teus projectos de que tenho conhecimento, não vejo nada de mal. Não vejo nada de criminoso,” respondeu.
O Tomé acrescentou ainda que “o Tugaleaks é certamente o que mais problemas te pode trazer. Mas isso é porque escreves coisas que muitos não queriam ver divulgadas”.

Agora, mais calmo, recordo as palavras de um outro amigo – por sinal jornalista: “Portugal é um país de arguidos, a única coisa que os diferencia é o acesso que têm, ou não, à verdadeira Justiça”.

Passadas quase duas semanas, e enquanto aguardo as cenas dos próximos capítulos, vou relendo o conteúdo dos meus projetos sem nunca encontrar o “crime” de que sou acusado e me foi meio-contado.
Talvez os meus leitores e amigos me possam ajudar a esclarecer este mistério. Por favor?

Enquanto isso, se o tema te interessa, comenta – pode ser até que me possas indicar o “crime” que alegadamente cometi, porque os factos todos nem eu os sei como arguido – e partilha este texto nas redes sociais.

Obrigado.

Rui Cruz, o arguido.

 

Portugal mostra-se à Internet com os domínios .pt, tal como este site. Na realidade, mostramos a vergonha nacional na gestão e otimização dos recursos, que comparados com sucessos internacionais, é desastrosa.

 

Liberalização dos domínios .PT: a forma mais desastrosa de mostrar Portugal na Internet

 

A DNS.PT é da FCCN, que é uma instituição privada sem fins lucrativos designada de utilidade pública. Mas que utilidade tem uma empresa de utilidade pública, passo a redundância, que apenas trás má fama à Internet em Portugal?

Já anteriormente a DNS.PT teve menção pouco honrosa neste blog, nomeadamente aqui e aqui. Ainda noutro contexto, foi noticiado em Dezembro de 2010 que a DNS.PT teria sido atacada por hackers e teria assim os seus sistemas vulneráveis. A prova foi publicada também no meu site pois já na altura era informado destas coisas pelo Tugaleaks, tal como mostra  este belo print:

Dia 29 de Fevereiro para 1 de Março foi novamente o caos tecnológico devido à necessidade de atualização do sistema para as regras do sunrise. O sistema deles foi programado para manutenção das 21h as 00h e na verdade só voltou cerca das 01h30m do dia seguinte.

Na realidade, esta liberalização é má por três motivos

  • Retira credulidade: antigamente uma pessoa a querer registar um .PT tinha que ser ENI (Empresário em Nome Individual) como eu sou ou fazer o registo de uma marca. Ambas as coisas custam dinheiro e demonstravam um esforço acrescido em ter algo nacional pelo valor da “marca” de um domínio com terminação. PT, ao passo de que hoje em dia qualquer um pode registar um domínio.
  •  Demasiados “se” e demasiada incerteza: no artigo 9º das regras (link das regras, obrigado à PTServidor) existem demasiados contornos que devem ser esclarecidos, como o “Corresponder a qualquer domínio de topo da Internet, existente ou em vias de criaçã” (será que o cliente tem que ser médium?), o ” nomes que induzam em erro ou confusão sobre a sua titularidade” (toda a gente regista domínios “tipo” em todo o lado, menos nos .PT), ou o ” Corresponder a palavras ou expressões contrárias à lei, à ordem pública ou bons costume” (se registar o Anonymous.pt será que é contra a lei por alguns os considerarem criminosos?)? E note-se que quem define isto é a FCCN, havendo caso não se concorde uma outra autoridade que faz a gestão dos conflitos.
  • Falta de competitividade: esta medida não torna por si os domínios .PT competitivos, já que custam cerca de 3 vezes mais do que os .COM e outros domínios de países como o .US.

Afinal, para quê a liberalização? Para mostrar ao mundo que Portugal não faz nada tecnologicamente como deve ser na Internet quando empresas de “utilidade pública” não são verdadeiramente úteis. É claro que mostrar isto no estrangeiro é sim uma novidade, porque em Portugal e quem lê o meu blog já sabe disso há bastante tempo.

Rui

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