06.19.13 18:23:22

Rui Cruz

A criar uma web melhor desde 2003

O malandro do Loveblip

Posted by Rui Cruz On Junho 27, 2012 7 COMMENTS

Estou solteiro. Mas prefiro dizer que sou solteiro. Neste caso estar é conformismo, e ser é escolha.
Há algum tempo tinha um site, procuroumanamorada.com. Criei para ver a reação das pessoas onde eu podia escrever sobe mim como pessoa e não como webmaster, ou como blogger, ou como geek. Fechei o site há meses porque embora tenha conhecido algumas pessoas interessantes, não era isso que me interessava.

Recentemente fiquei arguido num processo do qual ainda não sei praticamente nada (bom, sei que existe…). E pensei ser melhor fechar também o site por causa disso. Não é nesta altura que qualquer pessoa entra na minha vida, é uma altura importante para mim mas que não pode expor a pessoa com quem esteja. Portanto, sou solteiro.

Num Skype “perto de si”, em conversa com webmasters, falávamos de sites de encontros e alguém disse que o Loveblip tinha deixado de ser pago e que se podia falar por lá à borla. Eu como gosto de ver coisas novas, registei lá uma conta (ou ao que parece, activei uma que tinha anos e nem me lembrava).

Acontece que ao actualizar o meu perfil coloquei uma foto minha onde eu estava a tirar uma foto e fui apanhado de lado. A foto foi tirada pela Marina Duarte e foi na manifestação de 23 de Março em Lisboa.

Ontem, recebo um e-mail… que pode ser lido aqui:

Loveblip

 

Gostava de entender que raio esta foto tem de tão abusiva e que termos – aqueles que eu fui ler – é que violei.
Dei-me ao trabalho de ler os termos, e:

  • A foto é minha apenas, não se distingue outras pessoas
  • A foto é vista com a minha cara
  • A foto é da minha autoria

Portanto, caro Loveblip, o que conseguiste foi uma conta encerrada que não encontrei opção e tive que enviar um formulário de contacto e um post na Internet para a posteridade sobre a falta de flexibilidade das tuas regras.
E sabem que mais? A foto ainda lá está… quietinha… sem estar removida…

Como é tudo feito de leis, enviei pelo formulário de contacto deles algo bem ao meu tom crítico: “Nos termos da lei de proteção de dados, solicito a eliminação definitiva de qualquer dado que conste nas vossas bases de dados referente ao e-mail mail@ruicruz.pt”. Depois enviei este link para virem cá ver.

E eu, consegui menos uma rede social para visitar.

Uma boa semana para todos!

 

PS para geeks: sim, uso o SquireMail e gosto muito

 

Um livro onde cada capítulo pode acabar com ou sem corpos esquartejados, com ou sem armas de fogo e onde a única certeza é… um crime de parar o pensamento.

 

Matar à Portuguesa

 

É assim que vejo este livro. Escrito por um Luis Fontes e Carlos Tomás.

Pode parecer que admiro estas pessoas. E admiro. É que, este tipo de livros, não saem assim todos os dias. São coisas que por um lado não se pode falar, por outro não há espaço para a sua compra no mercado do Português e porque – infelizmente – as pessoas estão todas no seu mundinho.
Em cada crime relatado no livro, dos 37, eu ficava a conhecer factos “genéricos” de crimes. Se eu fosse um maluco com esquizofrenia ou alguém que fosse tentar praticar um crime destes, tinha ali um manual bastante bom. O detalhe não é na história mas sim no facto. O facto jornalístico, esse grande que eu aprecio e por vezes até temo, de tanta verdade que jorra de alguns dos seus praticantes.

Das 37 a que me motivou mais a ler foi “O Massacre de Sacavém”. A história fala de um política que seu interrogatório, presumivelmente sem querer, dá um tiro na cabeça de uma pessoa qualquer – ou seja, a pessoa é irrelevante – e com a ajuda dos oficiais que ali estavam no posto vão decapitar o homem e abandonar o corpo.
A melhor frase, sem dúvida, vai também para esta história: “O corpo decapitado foi levado a coberto da noite e abandonado num terreno na Ramada e a cabeça, metida num saco de plástico, foi deixada em Chelas…”

Ontem foi à apresentação do livro, no Chiado. Estavam lá grandes investigadores da PJ, segundo percebi. Não vi os meus. Pode ser bom sinal.

Acabei de ler o livro hoje. Ofereci-o, porque não tenho lugar no meu modo de vida para guardar “papel” e porque não sou pessoa de levar num livro e voltar a ler outra vez.

O meu livro tinha duas frases autografadas (ambas elas relacionados com o facto de ser o fundador do Tugaleaks), onde se lia:

  • “Para o Rui Cruz a quem finalmente conheci pessoalmente e que admiro pela sua luta pela liberdade”
  • “Para o grande mestre do Tugaleaks e companheiro de escrita”

Não interessa quem os assina. Mas interessa que, só por isto, se vê que a complexidade deste livro não tem a ver com a simplicidade que as pessoas ostentam. Falam com todos e falam de crimes. E a quem interessar, vale a pena ir comprar.

 

PVP: menos de 14EUR (13 e qualquer coisa)

 

Rui

Opinião pessoal no jornal O Crime – 07-06-2012

Posted by Rui Cruz On Junho 12, 2012 1 COMMENT

O artigo da semana passada no Jornal O Crime falava da ACTA. A manifestação foi um sucesso. Fotos aqui.
Caso queiras ler o Jornal em PDF de forma gratuita, visita este post no fórum do Tugaleaks.

 

Jornal O Crimec

ACTA: Portugal aprovou mas o povo não

O ACTA é um cancro na Internet. A proposta chama-se Anti-Counterfeiting Trade Agreement e, a ser aprovada, permite que temas como a pedofilia e pirataria sejam usados como desculpa para criar um sistema de vigilância apertada na Internet, uma redução do poder de uso das “ideias” e patentes (incluindo genéricos e sementes) e ainda uma lei além fronteiras que retira a soberania a qualquer país que assine este acordo.

Portugal assinou este acordo no início do ano, contra as propostas do BE e do PCP. A maioria tem destas coisas, é sempre justa para uns. Mais agrave ainda é o facto das primeiras versões do ACTA terem sido conhecidas apenas com fugas de informação, porque este acordo foi feito em segredo por vários países até há alguns meses atrás, incluindo (sem surpresas) os Estados Unidos da América.
Portugal saiu à rua no passado mês de Fevereiro e volta a sair este sábado. A ANSOL – Associação Nacional para o Software Livre e o Movimento Tugaleaks (do qual faço parte) vão criar uma arruada de informação, pela baixa de Lisboa, com vista a informar as pessoas para o perigo deste acordo assinado pelo nosso país.
Mas afinal qual é o real perigo deste acordo? Em pontos muito simples, é basicamente isto:
- Torna mais difícil a distribuição de Software Livre: sem a partilha de ficheiros e tecnologias P2P como o BitTorrent, distribuir grandes quantidades de software livre torna-se muito mais difícil, e mais caro. Bittorrent é um protocolo que permite a qualquer pessoa contribuir para a distribuição legal de Software Livre.
- Cria uma cultura de vigilância e suspeita, na qual a liberdade que é necessária para produzir Software Livre é vista como perigosa e ameaçadora, em vez de criativa, inovativa e excitante.
- Cria formas de vigilância apertada pela busca de informação privada em nome da pedofilia, pirataria e outros crimes que muitas das vezes não estão directamente associados com crimes informáticos.
- Permite a qualquer ISP (MEO, ZON, Cabovisão, etc.) ou responsáveis de servidores de alojamento de sites serem obrigadfos a fornecer dados ou cortar serviços caso exista uma queixa de violação de copyright sem sequer ouvir a outra parte.
- Todos os pontos anteriores funcionam com os países que assinaram o ACTA e além fronteiras, colocando a nossa soberania e legislação completamente de lado, ficando apenas a vigorar a lei Americana nestes casos.
Parece mau? Para mim é. Bastante mau e aterrorizador que alguém tenha permitido, até hoje, que este acordo tenha passado de governo em governo.
Existe uma petição online, com mais de 379.000 assinaturas. O objetivo é chegar às 500.000 e como diz o outro, “já estivemos mais longe”.
Embora Portugal tenha assinado, no Parlamento Europeu parece que há bom senso:
- Os comités do parlamento europeu DEVE (desenvolvimento), ITRE (indústria), JURI (jurídico) e LIBE (liberdades civis), independentemente, aprovaram relatórios a apelar a que o ACTA seja rejeitado.
- O INTA irá, tendo em consideração as opiniões destes comités, elaborar uma recomendação para que o ACTA seja aprovado ou rejeitado. O documento final será votado a 21 de Junho de 2012.
- O parlamento europeu deve votar o ACTA ainda este Verão (ou se calhar no Outono, dada a complexidade das decisões dentro da UE).
Depois da ANSOL e o Tugaleaks terem organizado uma arruada em Lisboa, uma cidadã independente organizou em Coimbra outra. Se calhar até sábado existem mais ainda por mais locais do país.
Sábado estarei na às 15h na Baixa de Lisboa a lutar pela Internet, patentes e software, todos eles livres de vigilâncias ou imposições demasiado opressivas.
E o leitor?

Opinião pessoal no jornal O Crime – 31-05-2012

Posted by Rui Cruz On Junho 11, 2012 1 COMMENT

Segue, com um pouco de atraso, o artigo que escrevi.

Vou começar a colocar as opiniões em texto a pedido de algumas pessoas, para facilitar a citação.

 

Sobre os ataques ao site do PSD Lisboa

Atacado mais de 15 vezes em menos de um ano, o site do PSD Lisboa – psdlisboa.net ou psdlisboa.org – é um “must see” para qualquer pessoa interessada em rir de vez em quando.

Este site, da Distrital do PSD Lisboa, contém a mesma falha de segurança há meses, que permite injectar código dentro do site, fazendo com que se façam alterações não autorizadas.

Não digo isto porque tentei ou porque me disseram. Digo isto porque observo.

Há quase um ano que ataques de hackers em Portugal são comuns quer por grupos de hacking que hoje em dia estão menos activos, mas também por pessoas individuais. No entanto, este website do PSD Lisboa salta à vista porque tem sempre a mesma “música”… um deface pelo menos uma vez por mês.

Recordo-me em Novembro e Dezembro quando a arte do defacing (alteração da página) era “administrada” por bastantes pessoas, em que numa sala de chat estarem a discutir que mensagem colocar e a mensagem ser alterada quase minuto a minuto por várias pessoas que na altura estavam presentes.

O último deface foi há poucos dias e teve a presença de imagens alteradas de teor sexual com capas de revistas pornográficas mas que continham imagens de Vitor Gaspar, Álvaro Santos Pereira, Assunção Cristas e Passos Coelho.

Alguns órgãos de comunicaço social afirmaram que era algo que tentaram no passado e não conseguiram. Mentiram, com todas as letras do teclado. Eu vi acontecer mais de uma dezena de vezes.

Mas, há uma pergunta que pode ser feita e é perfeitamente legítima: como é que uma Distrital de um partido pode ter tantos ataques sempre com a mesma vulnerabilidade?

Para começar e a pensar nisso podemos recorrer a outra história: há bem pouco tempo, também em meados de Dezembro ou Janeiro, os websites de quase uma centena de Juntas de Freguesia foram atacados e modificados. Aparentemente tinham todos o mesmo webmaster, usavam todos o mesmo gestor de conteúdos. Este último, estava vulnerável. É o que acontece com o site do PSD Lisboa.

O gestor de conteúdos (que assim por alto, me pareceu ser criado à medida) está vulneravel. E nunca ninguém quis ou conseguiu corrigir a falha. É algo a lamentar porque se um partido ou empresa quer investir em formas de comunicação online tem forcosamente que investir na segurança dessa mesma comunicação. Parece-me lógico.

A empresa que aloja o website do PSD Lisboa é a WebHS que na verdade é gerida pela WebSP, Lda. A empresa opera há alguns anos na área do alojamento web e serviços relacionados. Parece-me que a empresa já deve estar farta de restaurar backups aos sites, tendo em conta os contínuos ataques.

Com tanta contestação para com o nosso primeiro ministro, aos ministros que ele escolheu, e a tanta coisa deste governo, este website é apenas mais uma delas.

Eu, cidadão, estou farto. Eu, como pessoa que gere um site de notícias deste género, também estou farto de dar sempre a mesma notícia.

Será que podem corrigir esta falha de segurança ou seja la o que permite ter mais de um deface por mês?

Acho que toda a gente ia agradecer. Menos quem os ataca.

 

 

Download do Jornal o Crime no fórum Tugaleaks

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