05.22.13 01:09:32

Rui Cruz

A criar uma web melhor desde 2003

Opinião pessoal no jornal O Crime – 19-04-2012

Posted by Rui Cruz On Abril 19, 2012 1 COMMENT

Desta vez, governo e deficientes em destaque. Numa sociedade cada vez mais tolerante, não se pode admitir que sites do Governo não estejam acessíveis a deficientes.

Principalmente, quando eles são obrigados a cumprir as leis que eles próprios criaram. E não cumprem.

 

 Opinião pessoal no jornal O Crime – 19-04-2012

 

Rui

Logotipo do Movimento SIM

Quem vê vídeos no YouTube certamente já viu um anúncio antes de alguns vídeos mais populares com uma música que mistura hiphop e fado, onde alguém diz SIM ao Movimento SIM da Sangsung.

Este site, movimentosim.com, é o Movimento pela Criatividade em Portugal que “tem como objetivo apoiar, divulgar e premiar as indústrias criativas através de um movimento pela criatividade em Portugal.” Se criatividade é criarem um site com meia década de atraso, então estão no bom caminho! Podem saber mais mais informações aqui ou lê o seu manifesto http://www.movimentosim.com/movimentosim/ (mas não uses um leitor de ecrã porque o manifesto está todo em imagem!).

Decidi portanto apresentar o meu projeto na área de Novas Tecnologias e Aplicações Digitais. Vou chamar-lhe…

 Como fazer uma boa página web

Hoje vou portanto apresentar o meu projeto, que apresentarei baseando-me no mau exemplo de design e da publicidade do movimentosim.com, esperando com este artigo mostrar e sobretudo consciencializar para as boas práticas da acessibilidade web mas também para a adoção de senso comum que falta às chamadas Agências de Publicidade que vivem como parasitas da ignorância da nossa sociedade.

Apresento então, em 4 passos, a minha candidatura (lamento não apresentar no site, mas já vão ver o motivo):

 

Publicidade visual com som em sites de nicho sonoro continuo

O primeiro erro da publicidade que fazem em canais de comunicação como o YouTube é precisamente usarem a música.
Vejamos a seguinte situação: utilizador A entra no YouTube e procura um vídeo que, antes de ver, visita a vossa publicidade. Clica na publicidade ou escreve o site na barra de endereços. O site abre com música. O utilizador A sai do site, porque foi ao YouTube para ouvir (e ver) um vídeo. O movimentosim.com captou um utilizador apenas para o deixar fugir logo de seguida.

 

Página com música de fundo, uma ideologia que acabou em 2006!

Nesta outra crítica vou abordar o facto de terem música de fundo no movimentosim.com, algo que está em desuso tanto da usabilidade web como da acessibilidade web.
Mais de 20% da população Portuguesa tem alguma deficiência e, por exemplo, os deficientes visuais usam um programa de leitura de ecrã para identificar o que outros como nós identificam com olhos. O que se passa é que com a música de fundo não conseguem identificar mais nenhum tipo de informação na página porque a música está sempre a tocar, e mesmo que chegue ao fim, ainda repete!
Mais uma vez, a mensagem não foi passada e o utilizador não só deficiente, mas o que tem menos paciência, vai sair do site pela forma como o construíram.

 

Vamos parar a música! Mas… onde?

Mesmo que existe um standart da web em não colocar música em páginas sites existe ainda maior consenso no conceito de, do mal o menos: deixamos o botão de parar a música minimamente visível.
A Sangsung opta por colocar o botão no canto superior direito do site. Ideal, no meu tom de ironia, para quem usa dispositivos móveis, iPad, tablets ou EEE PC, dispositivos esses que têm resolução reduzida por norma.
Isto porque com a resolução de 800×600 o botão não aparece, apenas com 1024×768.

 

E se fizermos scroll down, encontramos… nada?

Movimento SIM - print do site

Como pode ser visto na imagem acima (clicar para ampliar) podemos constatar que se fizermos scroll down até ao final da página, existe uma parte que não apresenta qualquer informação. E foi testado em dois browsers diferentes, por isso vamos excluir a compatibilidade entre browsers e vamos incluir a falta de imaginação.

 

Segurança informática também não é com vocês…

Nem sequer vou falar do facto de usarem iframes ou de usarem uma pasta /movimentosim/ dentro do domínio movimentosim.com que fica tão mal em SEO, porque tendo em conta o que disse do vosso site até agora dizer mais do mesmo só iria reforçar o meu ponto e remover-vos a pouca credibilidade que ainda têm… e que vou remover agora com esta última afirmação:

Para um site que apenas na homepage consome 2MB de dados usarem IIS 6 é extremamente mau. Está sujeito a vulnerabilidades como Stack Overflow/Exhaustion com um servidor Web não só de uma outra era, mas também, literalmente, do ano passado, não ajuda muito à segurança caso alguém com falta de tempo queira enviar o movimentosim.com para o “movimento não abre o site, ponto com” ou simplesmente usar o LOIC, uma vez que o site é bastante pesado.

 

Portanto, como diz o vosso próprio manifesto no refrão… “sim, quando começa não tem fim por isso vai por mim…”. E tendo em conta que perdi apenas meia hora a verificar estes pontos todos, penso que a minha candidatura vai terminar, com votos de melhoras da imaginação da coitada da Agência de Publicidade que a Sangsung contratou.
Vai por mim, e da próxima vez contrata um profissional de Usabilidade Web, sempre és poupado a artigos como este!

Por uma web segura, acessível e sem barreiras.
Atentamente,

Rui

O fracasso do Censos 2011

Posted by Rui Cruz On Março 21, 2011 33 COMMENTS

Logotipo da campanha Censos 2011

Os Censos realizam-se de 10 em 10 anos, são obrigatórios (Lei 22/2008 de 13 de Maio) e permitem obter uma melhor noção em Portugal de quem é quem e como é. Isto porque provavelmente a Segurança Social não os consegue contar ou o Governo não aprendeu a somar as contas das pessoas que fazem Bilhetes de Identidade e o Cartão de Cidadão versus as pessoas que entram nos cemitérios, e ver quantos ainda estão por cá.
Neste texto falo problemas na linha telefónica, no site e na informação falsa colocada no RIPE.net.

 

O site

O site censos2011.ine.pt esteve offline até perto da uma da manhã conforme anunciei no meu Twitter. O mais engraçado é que no dia 20 o site estava online. Hoje, pelas 9h o site encontra-se online mas lento. É de notar que houve há uns meses um problema grave em que no dia de Eleições para a Presidência da República o estado teve problemas informáticos semelhantes. Se o Governo veio a público dizer que as pessoas responsáveis já tinham sido “despachadas”, penso que nem para despachar pessoas o Governo consegue fazer um bom trabalho. Estará talvez na hora do segundo round?

Visualização do relógio e da informação do site do Censos 2011 offline(clica na imagem para ampliar)

Uma das minhas preocupações é ter um site acessível. O facto de o ter acessível para mim, é simplesmente ter a possibilidade de navegar no site sem qualquer problema, mas que isso se estenda a qualquer tipo de deficiente que tente navegar no site: seja visual, físico, cognitivo, etc.
O Governo decidiu colocar o Símbolo da Acessibilidade na Web e ao lado o ícone do nível AA do WCAG 1.0. De notar que o WCAG 2.0, as normas mais recentes de acessibilidade, são recomendadas desde 2008. Em 2011, o INE decidiu usar algo que está obsoleto há três anos. E mesmo assim, usando um validados chamado de Examinator, encontramos erros de validação porque a página remete para um “302 found” em vez de remeter para a página que devia. Ou seja, mais um showoff do nosso Governo que tanto diz que gosta de ajudar os mais necessitados. No entanto, os problemas com ajudas técnicas continuam. Querem ajudar? Assinem a petição.

 

O telefone

Ontem dia 20 tentei contactar telefonicamente os Censos 2011 pelo 800 22 20 11. Escolhi uma opção e fui encaminhado para um operador. Esperei mais de meia hora a ouvir música. Quando fui ver o horário de funcionamento descobri que era só nos dias úteis. Ou seja, acho que andei a pagar uma chamada grátis desnecessariamente durante meia hora. Não entenderam? Eu explico: a chamada é grátis, não havia um aviso do horário de funcionamento e por isso, mais tarde, eu como contribuinte irei de certa forma pagar esta chamada e a incompetência do aprovisionamento de uma linha telefónica. Podia estar à espera uma hora, se calhar ia dar ao mesmo.

Hoje tentei contactar várias vezes desde as 9h da manhã, o número não se encontra disponível nem da rede fixa nem da rede móvel.

 

A falsa informação no RIPE.net

RIPE é a entidade Internacional responsável pela atribuição e pelo “label” dos IPs em Portugal, ou seja, é lá que obtemos a informação de quem é quem na Internet ou a quem é que um determinado IP ou uma determinada range de IPs pertence. Neste caso como sou geek, decidi ir ao RIPE pesquisar os contactos oficiais. Primeiro, fiquei realmente espantado pelo INE ter o seu próprio netblock, ou seja, um bloco de IPs só para eles. E depois, fiquei horrorizado: o contacto telefónico estava inválido. Relembro que nos domínios de Internet colocar falsas informações em domínios de Internet significa que podemos perder o domínio se o registar for muito rígido – ou as informações muito graves. Será que o INE poderá perder o seu range de IPs por isto? Claro que não. É Governo, e o Governo está imune a tudo e todos!

O facto é que continuo sem poder tirar dúvidas sobre o Censos, não é claro se o site é realmente acessível após o login porque a minha senha não funciona (daí ter que tirar dúvidas) e que uma entidade Governamental colocou falsa informação – seja por erro ou não – nos seus IPs.  Contra factos, não há argumentos. Já passaram 10 horas e meia do dia 21, o dia oficial do lançamento de algo que me parece ter sido um fracasso, tal como as Eleições. E agora a quem vamos atribuir as culpas?

Rui

Cadeira de rodas

Temos novamente como nosso Presidente o Professor Anibal Cavaco Silva. Não é apenas isto que se mantém igual. Por todo o Portugal está a ser gasto dinheiro ou mesmo “lavado” dinheiro que supostamente serve para ajudar deficientes.

Hoje vou falar-vos de ajudas técnicas. Para entendermos como tudo funciona, temos que saber o que é, afinal, uma ajuda técnica – ou desde 2007 o chamado produto de apoio. Um produto de apoio é “Qualquer produto (incluindo dispositivos, equipamentos, instrumentos, tecnologia e software), especialmente produzido ou geralmente disponível, para prevenir, compensar, monitorizar, aliviar ou neutralizar as incapacidades, limitações das actividades e restrições na participação” (Norma ISO 9999:2007) – fonte: INR.

Para o ano de 2009 foi aprovada uma verba de 12.620.000EUR. Será que a referida verba foi bem usada?

A questão é que nem sempre estes produtos vão valer e são a favor da correcta utilização pelo cidadão com deficiência que usufrui destes pedidos. Muitos são pedidos sem necessidade e outros até são vendidos após aquisição gratuita comparticipada pelo Estado a 100%. Estamos a falar de milhares de euros por pessoa. O Estado não fiscaliza nem existe regulamentação para tal acontecer.

Os exemplos

Para entenderem que tipo de material pode ser pedido, vou dar-vos três exemplos simples, mas que também podem ser mal usados ou mesmo vendidos. Outras combinações podem ser encontradas na Lista Homologada de Ajudas Técnicas.

  • Um computador, uma Impressora Braille, um Leitor de ecrã, um telemóvel e um leitor de ecrã para telemóvel. Valor: perto dos 9.000EUR. O problema: estes equipamentos podem ser pedidos por quem não lê Braille, porque não existe fiscalização e background check. Podem posteriormente ser vendidos ou revendidos a terceiros por um preço baixo, porque o cidadão fica sempre a ganhar.
  • Um relógio, sistemas de alarme e brinquedos: cerca de 500EUR mas muito variável. O problema: estas descrições de equipamentos são muito variáveis e podem induzir um auxiliar médico em erro ao prescrever este tipo de equipamentos.

Como obter um produto de apoio

Uma Certidão Multiusos a comprovar a deficiência, um atestado médico e três orçamentos de empresas distintas. Distintas disse eu? Nem sempre é assim. Representantes de uma e outras marcas do mesmo produto fazem jogos para combinar orçamentos, algo que nunca é notado.

Não é feita qualquer avaliação por profissionais qualificados para a correcta apreciação das necessidades das pessoas, apenas por um médico e uma assistente social ou uma funcionária da área da reabilitação. Não existe verificação sobre pedidos da pessoa noutro sítio, ou mesmo noutro sítio os mesmos produtos. Nada. Isto pode continuar anos e anos com pedidos sem nexo e sem fundamento, que mais se verifica nos cuidados da visão.

A formação do produto é tão importante quanto a aquisição

Normalmente nos bons costumes das novas tecnologias existe um período de formação do próprio produto, porque nem todos têm computadores e precisam de noções básicas (seguindo o primeiro exemplo indicado anteriormente). Ao adquirir uma cadeira de rodas, certamente que não se sai de lá com a “cadeira debaixo do braço”. Existe sempre formação. A formação informática é muito mais complicada do que a formação de uma cama, ou um brinquedo. E o que se vê na atribuição é a falta de interesse ou sequer de prescrição da própria formação nesta verba enorme que o estado dá supostamente para tornar a qualidade de vida do cidadão com deficiência, melhor. Alguém me explica como é que um cidadão com um computador com o qual não sabe trabalhar fica mais beneficiado? Eu não sei.

Os reais problemas

Os problemas e o que leva ao despiste financeiro são muito simples e são ordenados por ordem cronológica:

  • Falta de fiscalização inicial: não existe controlo sobre o que é dado, a quem é dado, quando é dado, e quantas vezes a pessoa pede outros ou até o mesmo produto
  • Mais avaliadores: apenas duas pessoas avaliam um processo que custa milhões de euros ao estado por ano, o que é curioso e francamente provável haver problemas de lavagem de dinheiros à conta da falta de avaliação
  • Falta de formação: como indicado no parágrafo anterior, formação para os equipamentos tem em muitos dos casos que ser obrigatória para um correcto funcionamento do sistema
  • Falta de fiscalização posterior: em um, dois e três anos, deve ser verificado o material, se o mesmo se encontra em bom estado e se tem o seu devido uso, podendo de acordo com o material ser feita uma avaliação remota ou uma avaliação ao utente

Conclusões finais

Toda a informação aqui descrita foi obtida junto de comentários e convivência com pessoas.

O dinheiro dos contribuintes não pode ser usado desta forma tão irresponsável. O Estado, Governo, e entidades intervenientes neste processo têm que assegurar um correcto funcionamento do sistema. Ainda por cima, estamos a ver muitos dos deficientes a usarem a sua deficiência como desculpa para enganar o próprio Estado.
Provas? Certamente que as há. Mas quem é que iria admitir publicamente que vendeu um material que lhe foi oferecido? Ou dizer a alguém que pediu porque o vizinho do lado também pediu? Ninguém vai afirmar isso. A transparência muita das vezes ainda não chegou aos lados corruptos de algumas sociedades.
Sei bem que existem alterações a serem efectuadas à lei, e que a mesma pode vir a ser modificada e incluir tudo o que eu disse aqui. Mas não é esse o problema. O problema é quase uma década de dinheiro mal entregue e mal fiscalizado.

Caro leitor, se apenas chegaste agora através deste artigo que nada tem de sensacionalista mas sim tem de verdadeiro e de inquisidor em matérias onde ‘colocar o dedo na ferida não chega‘, senta-te e sê bem vindo. O meu nome é Rui Cruz e entraste no “Portugal real”.

Rui

QUEROVOTAR.COM - fazer uma cruz num papel não é para todos

O voto. Um acto que parece simples. O artigo 121º alínea 1 da constituição, prevê que “O Presidente da República é eleito por sufrágio universal, directo e secreto…”. Nem sempre. O voto consiste em ir a uma sítio pré-designado, esperar, mostrar o cartão de eleitor, receber um papel, efectuar um movimento com a caneta (pode ser um X, ou uma coisa qualquer – também depende de como querem votar, em candidatos ou em votos inválidos) e entregar esse papel. Simples, não é?

Imagina que estás numa cadeira de rodas. Imagina que és cego. Ainda consegues este movimento?

Segundo os Censos 2001 existem 2.248.600 idosos e deficientes, mais de 20% da nossa população. Será este um número tão baixo para não haver alternativas ao voto?
Numa escola, um aluno que não vê faz testes a Braille e tem um professor de apoio. Existem cães de auxilio, cães guias, tantas alternativas. E o voto?

Votar significa usarmos a nossa consciência e o nosso DIREITO como cidadãos de participar activamente no futuro do nosso país. Um voto faz a diferença.

O QueroVotar nasceu de pessoas comuns, como eu e como o leitor. Pretende acima de tudo erguer uma voz, uma voz de desconforto perante falta de alternativas ao voto por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Desde 1995 que a lei Eleitoral aceita que “O eleitor afectado por doença ou deficiência física notórias, que a mesa verifique não poder praticar os actos descritos no artigo 87.º, vota acompanhado de outro eleitor por si escolhido, que garanta a fidelidade de expressão do seu voto e que fica obrigado a sigilo absoluto” (Artigo 74º – Voto dos Deficientes, Lei nº 11/95). Não chega. Existem pessoas que nem sequer de casa saem.

A abstenção falada posteriormente nos media tradicionais não fala da abstenção involuntária – também este termo usado no QueroVotar.É preciso dar direito de voto a quem por lei o tem. E isto significa todas as pessoas. Não as da classe alta, média e baixa. Mas todos os que dentro das classes não exercem o seu direito de voto por falta de alternativas viáveis. É um direito roubado pelo estado. Há que recupera-lo.

Participa com o movimento QueroVotar.

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