Só não trabalha quem não quer

Eu sou do tipo de pessoa a quem não se pode dizer que não arranja trabalho e se queixa muito sobre isso. Compreendo que seja chato, e difícil de admitir por haver muita pobresa envergonhada mas o facto é que não trabalha quem não quer. Claro que há exepções, no interior é muito mais difícil, mas eu vivo nos arredores de Lisboa e os meus amigos são também todos de Lisboa e arredores. Quando eles, ou apenas conhecidos, me dizem que não arrajam trabalho, levam logo com o meu mau feitio.
E digo isto porque existem dezenas de Empresas de Trabalho Temporário, que pagando mal ou bem, na realidade, pagam. E isso é o que importa. Em vez de eu lhes estar a pagar dos meus impostos, grandes quantidades de dinheiro para milhares de pessoa trabalharem em “nada”, isto é, ficarem em casa a coçar os tomates, as pessoas que se façam à vida, porque afirmo e sei que em Lisboa, não trabalha quem não quer… ou quem não pode, mas a isso já lá vamos.
Eu fui uma dessas pessoas. Há alguns anos fui dispensado do meu primeiro emprego, a recibos verdes, no qual trabalhava numa loja de material para deficientes visuais, a Tiflotecnia.
Mal saí, nem demoraram cinco dias. Arranjei o emprego que toda a gente não quer, telemarketing e vendas. Vendi durante um ano o Cartão de Crédito Citibank, agora adquirido pelo Barclays. Até foi alvo da criação de um tópico que ocupa o top nos mais comentados no meu blog: …
Fiquei lá um ano e como as bases de dados e as zonas para onde vendia estavam muito massacradas decidi despedir-me. Passado quase um mês, fui para a PT Contact.
Agora a PT Sales, antigamente a PT Contact, foi o sítio onde da minha vida profissional gostei e gosto mais de trabalhar. Bom ambiente, bons colegas, e o ordenado dá para sobreviver. Cerca de 600 euros por 8 horas. Claro que também trabalho por conta própria, nunca deixei os recibos verdes, o que me permite fazer uma vida mais ou menos.
Continuando a falar da PT Sales, vendi produtos da PT durante quase dois anos, até que recentemente foi para o BackOffice, basicamente é fazer o follow up das vendas. E cá fico, até me quererem por lá ou até eu não me sentir bem por lá.
Esta é a minha história.
Esta é a história de alguém que luta, e de alguém que pegou num trabalho que pouca gente quer, que pouca gente gosta, que muita gente critica, mas que há sempre gente que o faz.
Esta é a história de alguém que se perder o emprego, ganha outro, seja qual for, seja onde for. E que acima de tudo nunca se contenta com o que tem, pois eu sou ambicioso.
E a moral desta história é a mais simples de todas: na maioria dos casos, só não trabalha quer não quer.
Posto isto, anuncio que se alguém estiver interessado num part-time de 4 horas por 300 euros no “trabalho que ninguém quer”, a fazer vendas, e acima de tudo a fazer alguma coisa pela sua vida, que me contacte pela página de contactos do site.
Acredita que o trabalho não cresce nas arvores.
Infelizmente também existem pessoas que não podem trabalhar, sobre isso já falei no blog, mas se é um caso de deficiência sobretudo devem começar pela OED a vossa procura de trabalho. É mais difícil, mas não é impossível.
Rui

Logo no titulo podemos ver uma boa “verdade” com a qual concordo.
Mas devo confirmar a teoria do interior. Eu moro nos arredores de Pombal (pertence ao distrito de Leiria).
Claro que nos “arredores” trabalho é praticamente impossível, entenda-se isto como aldeias onde reina o pasto, as ovelhas, a merciaria e o cafe da esquina para os conhecidos… Já em Pombal que é cidade onde estudo, o emprego existe é verdade, mas diria precário e a gozar com a boa fé de muita gente em alguns locais.
Dou o exemplo do Shopping.
Quantos amigos(as) meus já não trabalharam em lojas neste centro comercial a valores irrisórios para o que fazem? é verdade pagam na mesma? ops.. ou será que não? pois isso é que se tenho verificado, desde se serem mal tratados pelo “patrão” (para mim só é patrão sem aspas quem o merece…) e quando são despedidos darem-lhes metade do dinheiro que prometeram. Contratos para defenderem o devido ordenado? Era bom era… O pessoal é maioritariamente estudante, na aflição aceitam trabalhos sem contrato e na maioria dos casos quando falam em assinar algo como garantia nem o emprego conseguem. Esta situação piora e vejo casos em que quase nem pagos são, ou na são mesmo com a desculpa injustificada de “foste um mau empregado”.
O pessoal já vai abrindo os olhos e evitando isto mas à sempre os novos na matéria, os que chegaram a pouco tempo, os aflitos por dinheiro e os que precisão mesmo emprego, que por vezes um ou outro la caiem em situações destas.
E de quem é a culpa meus senhores? Do português! primeiro dos “patrões” desonestos, segundo de quem procura emprego que deve ter mais cuidado, terceiro da situção geral do pais, embora como nosso amigo Rui diz e bem Só não trabalha quem não quer, sendo esta terceira ipotese a que mesno percentagem de culpa tem.
Esta é minha opinião (peço desculpa pelo longo comentario)… e a vossa? conhecem muitos casos destes?
Bom isso do só não trabalha quem não quer tem muito que se lhe diga. Embora exista muita oferta, especialmente em telemarketing é necessário ter em conta que o teu trabalho tem também de ser rentável para a empresa. Mas antes disso, e é para isso que servem as entrevistas tens perfil para a coisa?
Já me candidatei para trabalhos de telemarketing no passado e fui chamado para todos e no entanto recusei todos porque pura e simplesmente seria um trabalho muito desmotivante para mim. Sei o que quero e o que pretendo e se depender de mim não me sujeito a algo que dê um misero ordenado e não seja motivante.
Felizmente agora estou a trabalhar na área que quero e numa empresa que vai ganhando o seu prestigio.
Rui,
vou fazer aqui uma aposta (e espero que perca):
Não irás ter mais do que 5 respostas via contacto ao anúncio que fizeste no Post.
O problema é que é fácil ficar sem fazer nada e a receber algum, do que procurar emprego.
No meu caso concreto, eu despedi-me de onde estava e neste momento trabalho por conta própria. Foi um risco (mais ou menos calculado), mas em vez de esperar que me despedissem e fosse para o subsidio, preferi despedir-me e ir contra a corrente.
De qualquer forma, eu bem sei o que custa encontrar candidatos (afinal trabalhei como Dir de Recursos Humanos numa empresa de trabalho temporário.
Bom, depois diz-me se perdi a aposta !
@Eltonada concordo em tudo o que disseste. quanto aos trabalhos sem contrato, se denunciarem(es) ainda podes ser o “ganhador” da situação.
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@Mário Andrade quando PRECISAS de dinheiro, a coisa fia mais fino do que dizes. se me permites, moras sozinho? se sim, sabes do que falo. se ficares sem emprego, começam poucos meses – caso tenhas algum de parte – as dívidas da casa, carro, transportes, água, luz, cartão de crédito, bla bla bla, aquilo que o português comum tem.
e quando isso te acontece, é caso para dizer: PRECISO DE EMPREGO (qualquer um)!
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@Pedro T em 3 anos e meio de blog APENAS foram para onde eu trabalho duas pessoas referênciadas daqui. ou seja, é muitíssimo pouco. não preciso de esperar para saber que ganhaste a aposta.
Rui
Ui, desde quando é que 600€ dá para viver. Sim dá para viver, mas é sempre a contar os centimos.
jotix do Eurito.net
@jotix como disse tenho também conta própria, ou não fazia a vida que faço.
Mas sei de pessoas que dividem casa com namorado, ou com colegas de universidade e que se safam com 635€ (o valor correcto) + comissões de venda, por vezes chega perto dos 1000€. E quando não ganham comissões… aguemta-se também.
Rui
@jotix
tudo depende como se vive. Em vez de um Audi A3 tem-se um Opel Corsa. Em vez de fazer vários Kms de carro a passear ao fim-de-semana ve-se mais TV, come-se mais em casa (isto são exemplos) e por ai adiante.
A verdade é que à quem viva com menos e sobrevive e com orgulho, admiro quem o faz e é capaz, pois felizmente não vivo nessa situação mas se vive-se não sei como iria agir…
“na maioria dos casos, só não trabalha quer não quer” isso é uma verdade. Mas também ambiciosa um carreira profissional num emprego que é um “trabalho que ninguém quer”, trabalhos provisórios existem muitos, podesse até trabalhar nas obras que se ganha mais de 600 €, a questão é se quer fazer isso para o resto da sua vida.
Rui, se me garantes que esse valor dá para uma pessoa que do norte, ir viver para lisboa e vir a casa alguns fins-de-semana, pagar as contas todas, alimentar-se e juntar algum dinheiro se possível, para mais umas coisas necessárias ao dia-a-dia, tipo televisão, música, gasolina, seguro do carro, etc., eu conheço uma que vai já para aí!
Aí mostras que é preciso fazer alguma coisa pela vida, parabéns e continua a lutar
@Nuno esta frase até rima: a necessidade leva-nos por vezes a uma precaridade.
No entanto, se fores um estudante a saires da Univ e que precies de dinheiro para a tua vida, não consegues logo uma carreira, tens primeiro que “xupar em baixo” e “caminhar para cima”.
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@Paulo Varela se clahar não dá, com essas coisas todas. Mas eu já trabalhei 12 horas (6 + 4 + horas de almoço) e tudo para ter mais dinheiro. Agora estou confortável, há três anos não estava.
Não é do nada que falo da minha vida pessoal no blog, porque raramente o faço. Mas achei que devia dismistificar um mito da sociedade.
Em relação à tua amiga, pois, é capas de não dar. No entanto, sei de pessoas que não trabalham na Net e fazem pela vida. Lembro-me de uma que faz 8h num call center e ao fim de semana faz mais 4 de inquéritos.
Será que chega a ter um dia completo de folga? Não.
Ou uma semana de férias? SE calhar também não.
Mas se calhar tem comida.
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@Alfredo obrigado.
Rui