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Carta aberta ao 3º Encontro GT Jornalismo e Sociedade da SOPCOM

Bom dia, boa tarde ou boa noite. O meu nome é Rui Cruz. não licenciado, jornalista e acima de tudo produtor de conteúdos há uma década. E não gosto do vosso evento.

Na sociedade de informação há coisas que me irritam. Tenho esse direito. Uma delas – e são bastantes – é o facto de existirem determinados eventos para, vou-lhes chamar assim, “pessoas de gravatinha“. Na realidade, refiro-me aos eventos exclusivamente para licenciados.

Aprendi que o que fazemos por norma sai melhor se for por vocação. Há pessoas que vão à universidade para ser médicas e que depois são maus médicos. Há pessoas que vão à universidade para serem engenheiros e depois criam infraestruturas sem respeitar a acessibilidade do espaço para pessoas com mobilidade reduzida.
E parece que esta coisa do jornalismo concorda comigo. Porque não há equiparação a médico, nem equiparação a engenheiro. Há no entanto equiparação a jornalista, criada legalmente pelo Art 15º do Estatuto do Jornalista.

O 3º Encontro GT Jornalismo e Sociedade da SOPCOM (com site no Wix – espera, no Wix?!) é um evento onde “importa reflectir sobre os novos desafios colocados ao jornalismo, onde os profissionais são confrontados com a necessidade de produzir e editar notícias e, apesar da revolução operada na produção e transmissão de conteúdos jornalísticos, procuram manter a sua identidade profissional”.

 

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Quando vi o call for papers, pensei “é mesmo isso que vou fazer”. Afinal, sou produtor de conteúdos desde 2003, tenho este blog desde 2008 (ou 2007, não me dei ao trabalho de ir ver) e escrevo “como jornalista” desde 2010 com com carteira profissional de jornalista e detentor de um órgão de comunicação social desde 2013, entre muitos assuntos com especial foco em segurança informática e no fenómeno dos hackers.
Pensei em apresentar algo relacionado com o hacktivismo, com as notícias, a proteção de dados informáticos e as fontes digitais em meios de comunicação social mas… parei.

Parei quando li que “o autor, ou pelo menos um dos autores, deverá possuir um título académico de pós-graduação (mestre ou doutor)”. Ou seja, este é aquele típico evento de “pessoas de gravatinha“.

 

Assumindo, com conhecimento de causa, que a maioria dos produtores de conteúdos, chamados webmasters, que andam por grupos de Facebook ou sites da especialidade são não licenciados ou até licenciados em algo que nada tem a ver com o trabalho e a monetização de sites que fazem na Internet, este evento perde toda a relevância quando, em letras garrafais, questiona na página inicial do site “Jornalista ou Produtor de Conteúdos?” Se um não pode ir falar, o outro fica claramente em vantagem.
Vê se pelo programa do ano passado, onde só consigo ler “Universidade” espalhado pelo dia todo.

Portanto, se o evento era suposto explorar “a ténue fronteira entre jornalistas e produtores de conteúdos”, gostava de saber como vão fazer isso, se só as “gravatinhas” podem apresentar papers.

 

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Eu desisti da ideia. Mas ainda vim fazer uma coisa extra para “ajudar” o evento.
Como produtor de conteúdos e minimamente especialista (para não me acharem convencido) em Search Engime Optimization, tenho a certeza que daqui a umas semanas o meu site vai estar claramente mais posicionado para o 3º Encontro GT Jornalismo e Sociedade da SOPCOM do que o site da Wix. E quem for procurar pelo evento, vai encontrar um produtor de conteúdos a queixar-se de que o evento que fala sobre ele não pode receber, ou sequer considerar, a sua participação e conhecimento.

Irónico, não?

 

Vou continuar com a minha vocação no Tugaleaks, e deixar as gravatas apertarem o pescoço de quem se quiser sufocar no tradicional mundo do jornalismo e da discriminação das vocações.

 

Rui

Last modified: 15/06/2014

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