Estou há três meses a tentar filiar-me na Iniciativa Liberal. Ainda não consegui.

Rui Cruz
Criado a

Esta é a história de como a Iniciativa Liberal faz o onboarding totalmente desastroso de novos filiados. A começar por mim, que após várias trocas de e-mails, continuo sem lhes dar dinheiro, e sem filiação, a poucos dias das eleições, apesar de ter tentando mais de meia dúzia de contactos deles.

Primeiro, se chegaste aqui de para-quedas,  este sou eu. Rui Cruz , administrador de sistemas numa empresa de alojamento web e numa empresa da área da saúde, na vertente de segurança informática. Sou também diretor de informação do órgão de comunicação social Tugaleaks. Escrevo este texto porque sou liberal, acredito na liberdade individual, na redução do peso do Estado na economia, na meritocracia e na responsabilização individual. E é nestes dois últimos pontos que me vou focar:  a falta de responsabilização dentro do partido .

Ora, se demoram três meses a aceitar-me como filiado (e já vamos ver as “trocas” de e-mails mais abaixo)  como posso confiar nas mesmas pessoas para gerir o meu país quando não fazem a gestão o próprio partido? 

Vamos a factos.

 

Recebe novos posts por e-mail

Troca de e-mails com a IL bastante confusa

Fiz a minha inscrição no segundo fim de semana de fevereiro, pelo site. Recebi uma comunicação automática. Como não existiam prazos para análise, decidi perguntar duas coisas:

Recebi resposta apenas de uma:

Nada contra, não têm de responder a tudo, pensei eu.  Esperei três semanas, e nada . Insisti na pergunta inicial no dia 3 de março:

Resposta?  Zero .

Entretanto, fui contactado por uma pessoa do IL para ir para o grupo de WhatsApp da minha zona (Vila Franca de Xira). Entrei. Mas, faltava-me ainda pagar as quotas e aceder a um Portal que fiquei a saber que a IL tinha. Enviei e-mail e recebi uma resposta estranha:

Como assim não há grupo de WhatsApp,  aquele onde tinha acabado de entrar ? Enviei os prints e fiquei à espera. Mas reparem na hora, respondi  dois minutos depois :

 

Quando a ausência de lógica me tira do sério

Passaram dois dias, e como já estava há mais de um mês à espera de me filiar na Iniciativa Liberal, enviei um e-mail mais zangado, mas ainda assim a oferecer ajuda:

E se me tivessem dito “ Rui, isto está um caos, não te respondemos a tempo , e já agora, se puderes, ajuda-nos” eu tinha dado do meu tempo a montar uma coisinha simples mas intuitiva para aprovação e comunicação automática. Disso percebo eu, a Internet é a “minha praia”.

 

A partir daí, silêncio

 Enviei novos e-mails a 21 e 26 de março, e 2 de maio . Inclusive para outro e-mail que o meu contacto do grupo de WhatsApp me indicou e que seria o mais indicado.

Silêncio.

Ora, relembro alguns princípios liberais, que a Iniciativa Liberal devia seguir e que me fariam acreditar neste partido, e que, infelizmente, não vi aplicados neste processo:

  • A  meritocracia  implica que quem quer contribuir deve ser acolhido com respeito e eficácia.
  • A  responsabilização  exige que alguém assuma quando algo corre mal – não se pode ignorar durante meses uma simples filiação.
  • A  liberdade de escolha  começa na porta de entrada: tornar-se filiado devia ser simples e transparente. Mas com estes silêncios, também pode acabar na porta de saída.
  • A  transparência  exige respostas claras, mesmo que a resposta seja “ainda não sabemos”.

 

Se um partido liberal não consegue aplicar estes valores no seu funcionamento interno,  como poderá aplicá-los no governo de um país? 

É esse o meu ponto. E é por isso que escrevo isto.

 

Cansei-me de tentar contactar a Iniciativa Liberal

Entrei em contacto pelo Instagram, não leram. Entrei em contacto pelo Facebook, não leram. Enviei e-mails para dois sítios, não responderam. Enviei um outro para o e-mail do parlamento, a dizer “eu sei que não é convosco, mas podem encaminhar”, não responderam. Tentei ligar para a linha telefónica do parlamento (porque o IL é o único ou dos únicos partidos que não têm telefone fixo), mais de 20 vezes, vários dias a várias horas, não atenderam.

 Mas houve alguém que me leu . Curiosamente ou não, sou uma ligação de Rui Rocha no Linkedin antes de sequer de pensar em filiar-me no IL, desde 2023. Ele lia cada uma das minhas 4 mensagens, às vezes minutos depois. Mas não fez nada. A questão é: tem que fazer? Se eu estivesse no lugar dele, fazia copy paste e mandava fazer. Nada aconteceu.

 

 

 

Em quem vou votar

Eu estava filiado no PAN e afastava-me a pouco e pouco, não dos valores ambientais ou da causa animal, mas porque,  nas políticas económicas, há coisas que não fazem sentido para mim . Acreditei que o IL seria a minha nova casa política. Liberalismo económico, responsabilização, transparência. Tudo o que valorizo.

Mas então, após três meses de tentar dar dinheiro a um partido e nem isso conseguir que seja aceite, começo a pensar que, se isto é o liberalismo na prática? 

Agora estou entre duas possibilidades: votar em um partido que não me responde, mas cujas ideias estão certas, ou votar num partido que não tem todas as ideias certas, mas tem algumas e que pelo menos comunica, mesmo quando estamos de saída.

Ou, talvez, votar em branco com um bilhete no boletim a dizer: “a Iniciativa Liberal falhou”.

Espera, já sei: ir votar de t-shirt onde ficava estampada com “ Filiado no Limbo “.

 

Seja como for, escusado será dizer que, neste momento,  continuo maioritariamente liberal. Mas cada vez menos entusiasmado com a iniciativa. 

 

PS: Deixo uma pequena nota avulsa sobre liberdade de expressão: era engraçado que agora me fossem remover do tal grupo de WhatsApp onde estou (que não existe, supostamente) e nunca mais me aceitem como filiado, não era? Mas o que realmente era bom, era vir aqui atualizar este artigo e dizer que tudo ficou resolvido graças ao poder da internet e à vossa partilha.

 

Atualização 22 de maio

Parece que foi removido do tal grupo que não existia. Para mim, a verdade está sempre acima da vaidade. Se ninguém me disse nada, e a única coisa que me disseram foi indiretamente “sai daqui”, então o meu voto, que por acaso foi na IL, foi muito mal entregue. Mas é o que temos.